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Mais uma Fichinha, mais uma Voltinha!

  • Foto do escritor: Tomás Ramos
    Tomás Ramos
  • 11 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

E lá vamos nós outra vez, bem seguros na montanha russa das eleições. Desta vez, autárquicas, com a inevitável influência presidencial pelo caminho, porque em Portugal, até a eleição do condomínio tem direito a comentário de Belém. É o ciclo habitual! Outdoors a surgir como quem dorme, promessas com prazo de validade inferior ao de um iogurte proteico e, claro, a eterna convicção de que “agora é que vai ser diferente”.

Os candidatos reaparecem, uns rejuvenescidos, outros reciclados, prontos para mais uma volta de abraços em festas e selfies com o centenário do concelho que provavelmente pensam estar a tirar uma foto com o neto. Há quem traga planos para o trânsito, para a habitação, para a cultura; normalmente, tudo aquilo que já constava no folheto de há quatro anos, mas agora com um novo logótipo e um slogan mais apelativo.

Enquanto isso, as presidenciais vão fazendo o seu comentário, num equilíbrio quase circense entre o institucional e o opinativo. O Presidente fala, comenta, lança recados e piscadelas de olho, portanto, um género de padrinho democrático que, entre uma visita a uma escola e um mergulho nas selfies do povo, vai lembrando que está “atento”.

O cidadão interessado, esse, observa tudo com um mix de emoções. Já sabe que a festa eleitoral é um carrossel: dá voltas, faz barulho, ilumina-se por uns tempos e depois pára, no mesmo sítio onde começou. E lá vamos nós, confiantes de que desta vez a volta será diferente, mesmo que a música seja a mesma e de quem clica no botão para arrancar, também.

No fundo, há algo de profundamente português nesta encenação democrática. Gostamos do ritual, do espetáculo, do pequeno drama político que enche as ruas de fofocas. Mas depois, quando a poeira assenta e os votos se contam, voltamos à rotina com um encolher de ombros e a frase que todos já disemos, pelo menos, uma vez na vida. “Podia ser pior?!”.

E assim seguimos, numa Matrix cheia de déjà vu. É a política à portuguesa! Uma mistura de fado, feira e festa da terrinha, onde todos dançam, uns mais por convicção, outros apenas porque a música ainda toca.

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