Quando, Quem, Mais Alguém?
- Tomás Ramos

- 29 de mar.
- 2 min de leitura
Entre física, filosofia e uma pitada generosa de crise existencial, há perguntas que insistem em aparecer. E cá estou eu para as tentar responder, mais uma vez.
Comecemos pelo tempo.
Parece óbvio que existe. Os relógios avançam, os aniversários acumulam-se e as segundas-feiras sempre à nossa espera, com uma pontualidade irritante. O problema é que a física decidiu complicar esta história aparentemente simples.
Antes de Einstein, o tempo ficava em segundo plano, fixo e confiável. Com a relatividade, o tempo deixou de ser absoluto; acelera, abranda e curva-se consoante a gravidade e a velocidade. Dois relógios em sítios diferentes discordam entre si, literalmente.
Então… descobrimos o tempo como parte da natureza, ou inventámos uma desculpa para não chegar atrasados? Porque na física mais profunda, muitas equações funcionam na perfeição sem distinguir passado de futuro. A famosa sensação de que tudo caminha numa só direção pode, sim, estar mais ligada à entropia do que a qualquer rio cósmico a correr por si. Talvez o tempo seja como o metro do Porto, a cidade existe e as linhas fomos nós que as desenhámos.
Por falar em navegar pela nossa realidade, lembremos a consciência. Sabemos que existe porque estamos aqui a pensar nela, o que é simultaneamente a prova mais sólida e mais frustrante que temos. O problema começa quando tentamos defini- la com mais rigor do que isso. Os experts descrevem-na como o resultado de processos cerebrais complexos, como uma rede de neurónios a incluir a nossa perceção, memória e atenção. Já os filósofos, previsíveis, questionam assertivamente o porquê da sua subjetividade.
Há um detalhe pessoal bastante pertinente; não me lembro de ter consciência antes de nascer e provavelmente não a teremos depois de jazer. O mundo existia, presumivelmente, mas eu não estava lá para confirmar. E o mais perturbador é que o mesmo poderá acontecer no final, quando o cérebro para, talvez a consciência simplesmente... desapareça. Sem drama, sem créditos finais. Um silêncio cognitivo.
É um pensamento simultaneamente assustador e estranhamente libertador, que me leva ao último ponto de interrogação. Estamos sozinhos?
O universo tem aproximadamente quase 14 mil milhões de anos, centenas de milhares de milhões de galáxias e provavelmente mais planetas habitáveis do que cafés em Braga. Estatisticamente, estarmos completamente sozinhos seria quase ofensivo. E ainda assim, NADA.
A equação de Drake, formulada há 65 anos pelo radioastrónomo, tenta estimar quantas civilizações tecnológicas existem na nossa galáxia. Dependendo das variáveis, o resultado vai de "milhares" a "basicamente ninguém". A ciência, sempre objetiva, ainda não decidiu.
Curiosamente ficou-me de um documentário sobre dinossauros que durante milhões de anos, não eram nada de especial, apenas mais um grupo entre muitos. Depois um asteroide caiu, há 66 milhões de anos, varreu-os do mapa, exceto os que hoje chamamos aves, e abriu caminho aos mamíferos e em última estância, a nós. O que sugere a hipótese de que talvez o universo esteja cheio de mundos onde a vida surgiu, evoluiu, prosperou... e foi interrompida por um acidente igualmente banal.
É incrível como o tempo explica quando as coisas acontecem, a consciência explica quem as experiencia e a vida extraterrestre pergunta se somos os únicos a fazê-lo. A resposta definitiva ainda não chegou, mas se soubéssemos tudo, já não havia muito para querer saber.


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